Carros Protótipos: uma experiência ao volante do Brera Concept

Minha experiência ao volante do Brera Concept foi nas imediações do estúdio Italdesign-Giugiaro, em Moncalieri, distrito de Turim, na Itália. Dirigi o carro em um circuito improvisado nas ruas da região, entre galpões e terrenos baldios, mas com total liberdade para acelerar, garantida tanto pelo dono do carro como pelas vias desertas. Não tive o prazer de dirigir o 8C Competizione, mas imagino que esse modelo de linha deve ter um comportamento tão nervoso quanto o do Brera Concept.

Porque o Brera cupê e o Spider (com carroceria Pininfarina), que experimentei em outras ocasiões, ficaram bem mais comportados. Além dos três protótipos destacados aqui, dirigi ainda um jipe chamado TAC Stark, que foi inspirado em um jipe-conceito da Ford. O Stark teve uma história parecida com a do Vorax, coincidindo até a localização da futura fábrica, em Santa Catarina. Houve ainda diversos exemplares únicos construídos ou adaptados por seus próprios donos, em oficinas ou garagens particulares, como bugues fabricados em Fortaleza (CE) e um Karmann-Ghia com motor V8, entre outros.

Nesse universo, lamento não ter dirigido apenas um modelo: um Aston Martin que era uma peça única, conforme o assessor de imprensa da fábrica me contou. Segundo ele, o carro seria um protótipo que não chegou a entrar em produção, mas que foi vendido a um cliente tradicional da marca. O carro estava na oficina da Aston Martin em Newport Pagnell, na Inglaterra, no dia em que fui até la para andar no Vanquish. Ele era prateado, tinha carroceria de alumínio Touring Superleggera e um estilo próprio sem deixar de ser um Aston.

O dono era um suíço que já possuía vários modelos da marca, mas aquele era seu preferido, por ser uma herança de família. Nāo sei nem o nome da versão nem o ano de fabricação. Mas lembro que o assessor me disse que o proprietário não era ciumento e que, se eu pedisse, ele me deixaria dirigir a raridade. Pensei muito, mas, como minha prioridade era o Vanquish, acabei deixando o contato em segundo plano. Esse tipo de carro exclusivo é muito comum entre as marcas de prestígio.

Quando elas não os fazem, os clientes encomendam. São compradores que buscam mais exclusividade do que esses modelos naturalmente oferecem. Eles costumam pedir mudanças ou a inclusão de acessórios para que seus carros se diferenciem na paisagem. Geralmente, a personalização ocorre no acabamento, na seleção das cores e dos materiais, incluindo a aplicação de brasões, iniciais e outros adornos, nos painéis, laterais das portas e nos bancos. Mas há quem não se satisfaça só com isso.

Certa vez, visitei a coleção de um xeque árabe que possuía sete Mercedes-Benz SL iguais, sendo um de cada cor do arco-íris, com todos Os frisos e superfícies banhados a ouro, em vez do cromado original. E famosa também a história da perua Ferrari 456 isso mesmo, uma station wagon feita sob encomenda para o xeque de Dubai. Dentro das garagens dos Emirados Arabes, há muitas histórias dessas, mas não somente lá.

Para atender esse tipo de cliente, a Mercedes criou um departamento especial, chamado Designo, que pode fazer as mais estranhas combinações de cores e materiais. E a Ferrari foi mais longe: construiu um setor na fábrica de Maranello, chamado Ferrari Atelier, capaz de transformações mais profundas, para converter os mais exóticos sonhos em realidade.

O mais recente trabalho veio a público graças à revista inglesa Car, que convenceu o comprador a exibir o carro. Era um modelo batizado de F12 TRS. Trata-se de um superesportivo desenvolvido a partir da F12 Berlinetta mas com carroceria tipo barchetta (sem capota), em homenagem a uma Ferrari clássica, a Testa Rossa 250 1957. O pedido foi atendido em seis meses e o carro custou cerca de 2,5 milhões de libras esterlinas, segundo a revista.

Para assegurar que o modelo será único, a Ferrari se compromete por escrito a não construir nenhuma outra unidade igual e, ao fim do projeto, entrega ao comprador não só o carro mas também todos Os moldes (da fibra de carbono) e as ferramentas usadas para a construção do protótipo, bem como todos desenhos e modelos de clay (argila) produzidos durante o desenvolvimento.

Detalhe: o contrato prevê a devolução do dinheiro, caso o cliente desista da compra. Mas isso normalmente não acontece, porque esses modelos exclusivos costumam se valorizar com o tempo, chegando a custar até dez vezes mais.