Existem pessoas “superimunes” ao Covi-19? Veja o que os cientistas descobriram

Já são muito os casos em que apesar de dividirem a mesma casa, nem sempre todas as pessoas da residência se contaminam com o vírus. Já existem relatos de casais que ambos foram expostos ao vírus, dividindo a mesma cama, compartilhando objetivos, mas apesar disso, apenas um deles se contaminou.

E foi por conta disso, que alguns cientistas começaram a pesquisar se existem pessoas “superimunes” ao coronavírus. Além disso, por que algumas pessoas se contaminam e não sentem nada. Enquanto outras vieram a óbito, por conta da mesma doença. As dúvidas em volta da Covid-19 ainda são muitas.

Em busca de respostas, um estudo feito pela USP com pares de gêmeos univitelinos e bivitelinos, descobriu que irmãos geneticamente idênticos e expostos a Covid, tendem a ter sintomas parecidos. Já em relação a genomas diferentes, a maioria dos casos acabou sendo distinta.

Em outra pesquisa, foram analisados 86 casais, no qual apenas uma pessoa do casal, foi infectada. O objetivo do estudo foi tentar explicar a situação, através de um perfil genético.

“A gente tem certeza de que a genética está envolvida em vários aspectos da doença”, comentou Mateus Vidigal, biólogo responsável pelo estudo. “Queríamos investigar a influência da genética na infecção, na variabilidade de sintomas e no desfecho; além dos mecanismos de resistência e suscetibilidade à doença”, continuo Mateus.

A partir do estudo feito com 172 pessoas, foi possível descobrir duas sequências específicas de variantes ligadas ao sistema imunológico. Os cientistas chamaram de MICA e MICB. Dessa maneira, em indivíduos infectados as “MICA” apareceram aumentadas. Enquanto as “MICB”, diminuídas. Já nos voluntários que não se infectaram, as “MICB”, apareceram mais.

“Uma vez que se conhece o componente genético por trás da covid, isso abre uma nova perspectiva de tratamento. Os tratamentos hoje não são coletivos, não temos nada muito específico. É importante ter tratamentos mais individualizados para melhorar o prognóstico”, explicou Mateus Vidigal.

“Se conseguirmos mapear esses genes, poderemos saber de antemão quem são os indivíduos resistentes e os mais vulneráveis”, disse Mayana Zatz, que também participa do estudo.

“Com um teste genético simples, por exemplo, poderíamos liberar as pessoas resistentes, que não se infectam nem infectam outras pessoas para circularem livremente. Essas pessoas poderiam também ir para o fim da fila da vacinação”, finalizou Mayana.






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